Você vai me amar se eu for eu mesma?

Escrito por em 25 de agosto de 2017

Toda criança quer garantir o amor de seus pais. Se preciso for, ela vai deixar de ser ela mesma para conseguir este amor. Muitos pais interpretam o comportamento de seus filhos como rebeldia. Às vezes, é apenas um grito para dizer aos pais: “tem algo errado comigo, vocês não estão entendendo o que quero dizer, vocês não estão me vendo”. O primeiro pensamento dos pais, diante da entendida rebeldia, pode ser: “vou corrigir este péssimo comportamento antes que seja tarde demais”.

Uma vez uma cliente me procurou porque sua filha de quase quatro anos mordia seus colegas na escola. Percebi o motivo deste comportamento quando ela fez o desenho da família e não a colocou. Disse a ela que estava faltando uma pessoa e que eu sabia quem era. Ela olhou bem nos meus olhos e eu continuei: “Por favor, desenhe quem está faltando”. Ela a desenhou no final da folha e bem pequena. Estava se sentindo excluída da família.

Consegui entender com mais profundidade a dinâmica familiar com outras técnicas e testes. A preferência da mãe com relação a sua irmã era bem clara. A minha cliente não se sobressaía nas tarefas diárias como sua irmã. A mãe tinha a tendência a reforçar o comportamento “positivo” da filha mais velha. Quando a filha mais nova mordia seus colegas, sua mãe amorosamente a ouvia para saber qual era o problema. Era a chance de ela ter uma boa atenção, já que os holofotes se voltavam para ela.

Ao reorganizar a dinâmica familiar nas sessões de psicoterapia, este comportamento de morder os colegas desapareceu. Entendam que a criança vai se expressar de acordo com o que ela sabe e consegue. E esse comportamento pode se estender e até potencializar na adolescência e na vida adulta, apenas de outras maneiras. Portanto, antes de rotularem seus filhos, observem o que pode estar nas “entrelinhas” de seu comportamento.


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